22 de janeiro de 2014

Dobrados Errados


Tem papeis dobrados no meu assoalho, um tipo de origami que deu errado.
Levando-me para razões aleatórias... Perguntas, memórias, vida recortada
Não posso mais carregar retalhos, nem tantas cores, nem tantos amores...
Nem escapar por linhas estreitas achando que a solução só estará na aresta.
Deitar-me entre rabiscos, entre palavras metafóricas, até me embriagar em mais
Uma ideia estúpida de direção. Apreciar o chá e o cada dia que parece mudar...
Devagar, atiçando a ruína que nunca deixa de se vangloriar. Faz bem querer ficar?
Desdobrar essas lembranças, acender um pouco de voracidade no meu candelabro
E quem sabe mais uma vez, dobrar-me em poesias que nunca deram errado.


Daniele Vieira

20 de dezembro de 2013

Dançar Saudações Breves

Se eu pudesse decorar essa dança alegórica...
E talvez a entrelaçar em saudações breves,
Tudo seria mais tentador... Mais único.

Tanto como não fosse o bastante pra mim,
Tudo que eu acho que preciso me puxa do chão...
Piso em falso, falta salteados dançando por aqui.

Estruturas deitadas em um movimento delicado
E lá se vem e vai outra melodia exigente demais
Arrancando-me a perfeição por novos presságios.

Assim como nesse sonho que já acordo caindo,
Para nunca perder o último fôlego dessas luzes de led
Embriagando-me de utopias, até parece sinfonia...

Voltas e voltas no meio dessa multidão ambulante
Talvez lá no fundo, o dançar seria uma liberdade
Desleixada para saudações, superficiais, breves.

                                                                  E esse equilíbrio é mais tentador... Mais único.

 
                                                Daniele Vieira

5 de dezembro de 2013

Cores Do Meu Ser


Pisastes entre pilastres, navegando entre imensidões, engolindo meu ser.
Quem tu és? Sabes me dizer? Outra vez, pego-me traçando essa face vazia.
Esse som que ecoa pelo meu infinito, transgrido as notas, será sempre assim?
Afundando-me entre cores que eu não sei o nome, entre uma palheta de emoções.
Ande por aí, toque nesse mar e torça que lhe traga tudo que desejas... Ande por aí
E múrmure seus próprios mantras, quem sabe talvez si encontre por aqui...
Sem escolha me entrego a essas cores e lá estou eu nas profundezas
Respirando cores, sonhando formas, diluindo saudações... Inundando meu ser.
Piso entre pilastres, navego entre imensidões, engulo meu ser.
Quem eu sou? Sei te dizer? Outra vez, pego-me traçando essa face
Em outrora vazia e agora transbordando cores que eu não sei o nome.

Daniele Vieira 

26 de novembro de 2013

Silêncio Selvagem


É reconfortante esse silêncio, nada mais cabe em mim,
Só esse estigma selvagem que vai se arrastando pelo meu ser.
Eu nunca queria ser e estar tão livre, tão espontânea, tão assim.
Respirando em minhas dimensões, arriscando em outras paisagens
Colidindo com outras utopias, outras estantes, colidindo por aí
Sem me preocupar com o que não é imediato, com o que faz doer.
Meus cabelos, cacheados, soltos ao vento, dançando a todo momento.
É reconfortante esse silêncio, tudo e mais cabe em mim.

Daniele Vieira

7 de novembro de 2013

Amanhã Deveríamos Ser Suficiente


Feche os seus olhos,
Eu irei te surpreender...
Amanhã sentiremos saudades
Do que fomos e deveríamos ser.

Iremos fingir que não sabemos
De nada que nos aprisone.
Mas, meu bem, será tarde demais
Para amarmos outrém que não nos abondone?

Abra os seus olhos,
Eu não estarei aqui.
Hoje levamos lembranças
Só o suficiente para si.

Daniele Vieira

17 de outubro de 2013

Deixar Fluir, Talvez Seja Demais


Ainda tenho algo para não deixar ir,
Para não deixar fluir nesse outono...
É sempre algo que não dá para dizer,
Algo que não sei como escrever. 
Talvez, seja tarde demais.

Então, não adianta se fecho meus olhos.
Nem se murmúrio palavras estreitas e vazias 
Tentando dá-las algum falso conceito reconfortante.
Não adianta porque as desculpas sempre são minhas...
Sempre são arranjadas com facilidade.

Não sei reagir quando sou surpreendida por esses medos.
E no fim acabo desistindo... Acho que sou egoísta de mim.
Só um pouco de mim, um pouco que não sei deixar ir.
Não sei deixar fluir com essa correnteza de emoção...
Talvez, seja cedo demais.

Daniele Vieira

17 de setembro de 2013

Se Eu Pudesse Desatar Um Tanto De Mim


Se eu pudesse desatar minhas próprias mãos nesse caminho feito de rascunhos
E deixar de lado essas lições de desventuras para aventurar-me em minhas alegorias...
Seria um tanto utópico demais, um tanto mais de mim. O quanto já me perdi entre essas linhas,
Já me confundi em minhas fantasias e já me envolvi por outras melodias... Já não sei evitar.
Um fôlego não é o suficiente, uma história não é o bastante e o som do silêncio não é o mais alto.
Se eu pudesse desatar minhas próprias poesias nesse mar seco de inspiração
E deixar pra lá, esses vestígios de lembranças para deleitar-me em outras paisagens...
Seria um tanto libertador demais, um tanto menos de mim.

Daniele Vieira