19 de junho de 2014

Enxergar O Quiser


Você consegue enxergar o que não estou vendo?
Consegue sentir esses ferimentos? Essas lembranças?
Esses pequenos empecilhos sem nenhuma opção, nenhuma solução.
Para onde vai? Não sabes nem me dizer, como saberias? Como eu sei?
Não tenho mais aquele comodo fervor aos olhos, nem outro brilho casual,
Nem outra virtude passageira... Por que não consigo enxergar o que almejo?
Devastada imensidão, inapropriada mania de ser assim, de querer ser assim
Deve ser por isso que não exergo o que é arriscado demais para minha amplitude,
Mas como posso sentir algo que não me pertence, algo que não quero refletir?
Muitas perguntas e poucas respostas, quando na triste realidade
Fico melhor por aqui, nessas dúvidas não tão duvidosas...

Daniele Vieira

9 de junho de 2014

Sem Fôlego


Eu acordei nessa manhã me sentindo sem fôlego.
Sem saber para onde ir, por quanto tempo partir, sem saber
De nada que não me pertença, de nada do que eu costumava ser
E do que ainda sou... Meio que um sentimento um tanto leviano e vazio.

Palavras estranhas e desconexas reinando em minha memória
Pra quê acreditar no que foi e no que será? Sem fôlego, sem dor
Era a hora, mas, e agora? E essas poesias incompletas? E essas páginas
Em branco? Seria tamanha falta de educação deixá-las avulsas de meu coração.

E se, se eu perguntasse, o que eu acostumava ser?
Palavras estranhas e desconexas, poesias incompletas
E páginas em branco? Sem fôlego, sem ardor
Costumava acordar me sentindo renovada.

Daniele Vieira

7 de maio de 2014

Longe Adiante


Muda, longe, siga adiante, escute o brando desenrolar...
Aqui, já não pode estar. Vamos! Siga adiante para longe mudar.
Lá, já não pode esperar! Vamos pra lá, onde longe posso seguir adiante e ficar.

Daniele Vieira

12 de abril de 2014

Toda Vez Ninguém Sabe




















Eu sinto como nunca devesse ter, 
Não acho que eu acharia uma outra forma;
Toda vez, toda vez que eu vejo essas farpas no chão
Ninguém sabe, para quê saber? Não tenho certeza do que vejo
E esse lance de escadas já foram mais inspiradores... Mais coloridos.
E essas mentiras, de ontem, que faleceram nesse piso frio, e esses sussurros
De sempre que nunca vão embora, nunca deixaram de ser eles mesmos por outrem.
Eu sinto como nunca devesse entender, não acho que encontraria uma outra solução toda vez,
Toda vez que eu observo essas farpas pintando o chão, ninguém sabe. Para quê saber? Tenho certeza
Do que vejo, esse lance de escadas já foram menos drásticos... Menos vermelho. E esses desejos,
De todo dia, que borraram nesse piso frio, e esses estímulos de outrora que já vão embora
Nunca deixaram de ser eles mesmo por outrem. Eu sinto como nunca devesse parar... 

Daniele Vieira

2 de abril de 2014

Almejar


Saber e querer já é mais do que pretendo com esses versos
Não é que eu tenha uma ideia formada de como as coisas são e como deveriam ser,
Nem uma que me obrigue a ficar aqui dobrando pensamentos e arredondando suas arestas,
Nem nada, nada que caiba aqui, nem nesse meu instinto emblemático de querer criar
O que não sei expressar... Não saber é diferente de não almejar. Eu almejo.

Achar e ter já é muito mais do que pretendi com esses versos
Não é que eu tenha uma ideia formada de como as coisas são e como deveriam ser,
Nem uma que me obrigue a parar e esquecer do pálido eufemismo e da afiada caligrafia,
Nem nada, nada que deixe de ser, nessa minha estreita vontade de transgredir
O que não consigo alcançar... Não conseguir é diferente de não almejar. Eu almejo.

Daniele Vieira

14 de março de 2014

Re-harmonizar


Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro

Por que apressar?
Se nem sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo

Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro

E se tropeçar
Do chão não vai passar
Quem sete vezes cai levanta oito

Julga saber
E esquece de aprender
Coitado de quem se interessa pouco

E quando chorar
Tristeza pra lavar
Num ombro cai metade do sufoco

O novo virá
Pra re-harmonizar
A terra, o ar, água e o fogo

E sem se queixar
As peças vão voltar
Pra mesma caixa no final do jogo

Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro

O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia após o outro.

Um dia após o outro
Tiago Iorc

27 de fevereiro de 2014

Inapropriada Permissão Vazia


Se sei, nessa tarde vazia, não adianta forçar
Nem apreciar outra paisagem nublada sem permissão
Sem educação, sem vergonha de ser assim... Inapropriada
Distante de mim. Distante de tudo que se envolve em mim
Vale dizer, negar e exercer minha diretrizes críticas aqui
Estruturar essa minha visão borrada para não deixar passar
Esse romantismo silvestre, agridoce e azul. Um tanto anti-promissor
Para uma paisagem, para meu ponto de vista, para o de outrem.
Se sei, nesse sentimento vazio, não adianta forçar
Nem trocar por outra paisagem virtuosa com permissão
Com educação, com orgulho de ser assim... Apropriada.

Daniele Vieira

*Fotógrafo - Alexander Khokhlov