14 de março de 2014

Re-harmonizar


Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro

Por que apressar?
Se nem sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo

Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro

E se tropeçar
Do chão não vai passar
Quem sete vezes cai levanta oito

Julga saber
E esquece de aprender
Coitado de quem se interessa pouco

E quando chorar
Tristeza pra lavar
Num ombro cai metade do sufoco

O novo virá
Pra re-harmonizar
A terra, o ar, água e o fogo

E sem se queixar
As peças vão voltar
Pra mesma caixa no final do jogo

Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro

O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia após o outro.

Um dia após o outro
Tiago Iorc

27 de fevereiro de 2014

Inapropriada Permissão Vazia


Se sei, nessa tarde vazia, não adianta forçar
Nem apreciar outra paisagem nublada sem permissão
Sem educação, sem vergonha de ser assim... Inapropriada
Distante de mim. Distante de tudo que se envolve em mim
Vale dizer, negar e exercer minha diretrizes críticas aqui
Estruturar essa minha visão borrada para não deixar passar
Esse romantismo silvestre, agridoce e azul. Um tanto anti-promissor
Para uma paisagem, para meu ponto de vista, para o de outrem.
Se sei, nesse sentimento vazio, não adianta forçar
Nem trocar por outra paisagem virtuosa com permissão
Com educação, com orgulho de ser assim... Apropriada.

Daniele Vieira

*Fotógrafo - Alexander Khokhlov 

22 de janeiro de 2014

Dobrados Errados


Tem papeis dobrados no meu assoalho, um tipo de origami que deu errado.
Levando-me para razões aleatórias... Perguntas, memórias, vida recortada
Não posso mais carregar retalhos, nem tantas cores, nem tantos amores...
Nem escapar por linhas estreitas achando que a solução só estará na aresta.
Deitar-me entre rabiscos, entre palavras metafóricas, até me embriagar em mais
Uma ideia estúpida de direção. Apreciar o chá e o cada dia que parece mudar...
Devagar, atiçando a ruína que nunca deixa de se vangloriar. Faz bem querer ficar?
Desdobrar essas lembranças, acender um pouco de voracidade no meu candelabro
E quem sabe mais uma vez, dobrar-me em poesias que nunca deram errado.


Daniele Vieira

20 de dezembro de 2013

Dançar Saudações Breves

Se eu pudesse decorar essa dança alegórica...
E talvez a entrelaçar em saudações breves,
Tudo seria mais tentador... Mais único.

Tanto como não fosse o bastante pra mim,
Tudo que eu acho que preciso me puxa do chão...
Piso em falso, falta salteados dançando por aqui.

Estruturas deitadas em um movimento delicado
E lá se vem e vai outra melodia exigente demais
Arrancando-me a perfeição por novos presságios.

Assim como nesse sonho que já acordo caindo,
Para nunca perder o último fôlego dessas luzes de led
Embriagando-me de utopias, até parece sinfonia...

Voltas e voltas no meio dessa multidão ambulante
Talvez lá no fundo, o dançar seria uma liberdade
Desleixada para saudações, superficiais, breves.

                                                                  E esse equilíbrio é mais tentador... Mais único.

 
                                                Daniele Vieira

5 de dezembro de 2013

Cores Do Meu Ser


Pisastes entre pilastres, navegando entre imensidões, engolindo meu ser.
Quem tu és? Sabes me dizer? Outra vez, pego-me traçando essa face vazia.
Esse som que ecoa pelo meu infinito, transgrido as notas, será sempre assim?
Afundando-me entre cores que eu não sei o nome, entre uma palheta de emoções.
Ande por aí, toque nesse mar e torça que lhe traga tudo que desejas... Ande por aí
E múrmure seus próprios mantras, quem sabe talvez si encontre por aqui...
Sem escolha me entrego a essas cores e lá estou eu nas profundezas
Respirando cores, sonhando formas, diluindo saudações... Inundando meu ser.
Piso entre pilastres, navego entre imensidões, engulo meu ser.
Quem eu sou? Sei te dizer? Outra vez, pego-me traçando essa face
Em outrora vazia e agora transbordando cores que eu não sei o nome.

Daniele Vieira 

26 de novembro de 2013

Silêncio Selvagem


É reconfortante esse silêncio, nada mais cabe em mim,
Só esse estigma selvagem que vai se arrastando pelo meu ser.
Eu nunca queria ser e estar tão livre, tão espontânea, tão assim.
Respirando em minhas dimensões, arriscando em outras paisagens
Colidindo com outras utopias, outras estantes, colidindo por aí
Sem me preocupar com o que não é imediato, com o que faz doer.
Meus cabelos, cacheados, soltos ao vento, dançando a todo momento.
É reconfortante esse silêncio, tudo e mais cabe em mim.

Daniele Vieira

7 de novembro de 2013

Amanhã Deveríamos Ser Suficiente


Feche os seus olhos,
Eu irei te surpreender...
Amanhã sentiremos saudades
Do que fomos e deveríamos ser.

Iremos fingir que não sabemos
De nada que nos aprisone.
Mas, meu bem, será tarde demais
Para amarmos outrém que não nos abondone?

Abra os seus olhos,
Eu não estarei aqui.
Hoje levamos lembranças
Só o suficiente para si.

Daniele Vieira