11 de março de 2015

Sobre Amar Cores

Sobre o amor:
O amor tem cores
Algumas claras e pacíficas
Outras poluídas e borradas

Sobre o meu amor:
O meu tens tons aquarela
Os quais não consigo ver
Apenas imaginar e sentir

Sobre as cores:
Carregam amores e dores
Desdobram-se num olhar
Todas as cores do meu mar.

Sobre o mar:
No mar tem meu amor
Por si só já é quase amar
Ama todos sem medida.

Daniele Vieira

8 de fevereiro de 2015

Um Nenhum


Seis passos em direção à cozinha, cinco comprimidos, meio copo d'água, um suspirar.
Dez horas tarde demais, vinte e sete minutos esperando o Sol baixar, três apelos, uma nota.
Quatro cores: azul, amarelo, vermelho e branco, duas sombras e sem sombra de dúvida, um amor.

Sete acordes emergindo do violão, meia dúzia de palavras e nenhuma precisava ser dita.
Treze poesias jogadas no mar, trinta e dois metros para descer e nenhuma expectativa.
Dezenove degraus em overdose na minha escada, milhões de grãos de areia e nenhum destino.

Um suspirar ofegante, uma nota maior, um amor acomodado navegante
Nenhuma palavra precisava ser dita, nenhuma expectativa para nenhum destino
Um nenhum de maresia, de mar e poesia, um nenhum pelo acaso, um nenhum um tanto meu.

Daniele Vieira

27 de janeiro de 2015

Gastei Palavras


Gastei palavras que nunca cansam de se reafirmarem, não posso mais voltar sozinha
Nem degolar sentidos e emoções com a minha reação psicótica... Parece que não tem fim,
Devia ter fim? Essa faísca que se arrasta nesse frio melancólico, mas não é nem tarde ainda...
Ou talvez seja um pouco cedo demais, eu acabei de derrubar meus rascunhos e embebedá-los
Com chá, nem tão chá, amargo e aveludado... Saio de casa, na rua parece tudo mais claro,
Tudo mais cansado, tudo mais inevitável, tudo mais gelado. Gastei palavras que nunca cansam
De me confortar, não posso mais me escorar em qualquer canto, nem sair perguntando
"Quando a diversão vai começar?". Um pouco pra fora de mim, um pouco menos literário...
Mas ainda é terça-feira, um dia nada poético, lá se vai um livro chamado Palavras Gastadas.
Os passos são fracos, inseguros, brancos... Eu paro e rio, pra onde estou indo? De que adianta
Andar nessa calçada desuniforme, atrás de um apelo coletivo, três gotas de inspiração?
Vejo pessoas loucas, correndo e falando no celular, cada uma mais fria e sem cor envolta
De fumaça, de álcool, de batom borrado, de terno desalinhado gastando palavras que nunca
Cansam de mentir, talvez, eu possa lidar com isso... Talvez, seja mais fácil lidar com mentira.
Volto pra casa, cadê meu brinco? Perdi mais um botão? Gastei as palavras que estava guardando?

Daniele Vieira

14 de dezembro de 2014

Insanas Para Amanhã


São poucas as coisas quais eu tenho sanas em minha cabeça
Sanas, puras, resguardadas e estruturadas em forma de cristal
Não consigo mais beber dessa fonte rasa de inspiração e nem
Contornar com os dedos esse cálice de aço gelado e prepotente.
Quem eu sou hoje não reflete e nem retrai. Então, quem sou eu?
Uma osmose de pensamentos ambulante? Um caleidoscópio quebrado?
É um frio caloroso, arrepiante e que trás verdades que me deixa assim,
Desamparada, tremendo, com medo, vazia, crua, quem outrora fui e hoje sou...
A quem pertenço? Sou do mundo, sou da terra, sou do mar, sou da floresta
Eu sou o mundo! Não caibo em eu mesma... E se hoje sou assim...
Amanhã como serei? Quem eu serei? Retalhos de quem eu fui?
Fragmentos de mundo destruído? Um mar poluído e sem inspiração?
Um quase sem poesia? Não. Não sei viver assim. Não devo viver assim.
Prefiro minhas ideias insanas e psicodélicas que enfeitam os pilares
Da minha criatividade, prefiro o horizonte azul e Sol explosivo forte...
Prefiro aquela bagunça que no meio de bugigangas ainda era arrumada.
Prefiro o cheiro de tinta e as que mancham o chão, prefiro ser pra mim.

Daniele Vieira

30 de novembro de 2014

De Domingo



Das tardes de domingo,
Das horas que não passam,
Dos pressentimentos não sentidos,
Da escuridão enorme,
De tudo que trás esse querer ser e
Do que eu não posso e já perdi.

Horizontes quebrantados,
Horas jogadas no mar,
Horas que vão e vem devagar,
Horas que fogem todo instante,
Há motivos para querer julgar?
Há razão que me aprisione?

Quando tenho os mesmos medos
Qualquer coisa não basta
Quer saber?
Quase escapa pelos meus dedos
Quase esqueço de esquecer
Que não preciso ser tão complicada.

Mas como me descomplicar?
Mais amor pra cá? Mais poesia?
Mar e maresia?
Mora lá perto de casa,
Muda pra praia,
Minha manha de domingo.

Daniele Vieira

22 de novembro de 2014

Simples Azul Profundo

Ele se sentou na varanda, perto dos meus discos de vinil, com um ar cansadoramente inebriante
Tinha em suas mãos papel e caneta azul profundo, precisou mais de um trago daquele ar úmido
E com um sorriso devastador, ele destrinchou as primeiras palavras, as quais o mesmo não sabia explicar... Mas ele se sentia tão impotente!
Ah, os cantos da palma já estavam todos borrados e o papel manchado de azul profundo, azul mundo!
Qual eu pertenço, qual minhas cumbucas estão espreitas pela casa, qual lírios brotam na varanda!
Mas ele estava sentado na varanda e nem cheiro, e nem calmaria, alcançavam seu coração escuro...
Nem as rimas fracas e nem a metrificação! Estava tudo tão cinza e perturbador, mas tão sincero!
Tão cálido, tão joia, tão simples! Ele se permite ri de tal sentimento devorador, entusiasmador e conflitante! Isso trás paz... Trás simplicidade gigante!
Arrastava os dedos no papel, nunca precisou de muito e mais uma vez tinha uma péssimo rascunho numa folha datada. Não precisava de mais nada.

Daniele Vieira

19 de novembro de 2014

Madrugada Devora

Eu andava na chuva com jeito
Agora já quase caio, tantos defeitos
Antes que fosse um parada qualquer
Imaginando problemas onde houver
Intrigas, barulhos, palavras que devoram
Andando sem direção, outra escada
Esperando qual será a próxima piada...
São apenas opiniões que me degolam...

E essa capa em cima do balcão do hotel
Tá tão frio aqui fora, tão sujo esse céu
As ruas submergem esdrúxulas, molhadas
No outo lado corre um cara de mão armada!
Medo, reações e sentimentos que devoram
Imundos e sedentos estímulos urbanos
Aah, mas tão travessos e levianos!
Nem as mais doces poesias os saciam!

Luzes de led brilhando no breu melancólico
Cuidando do mendigo de humor alcoólico
Correr pra onde? A vista daqui é bem agradável
Pra quê ter quando se pode admirar o inalcançável?
Estranho vazio (cheio) da madrugada que me devora
Joga-me na parede e me intriga mais e mais
Como se eu fosse vulnerável, pequena e não capaz
Grita, burla, chora e provoca essa emoção que aflora.

Daniele Vieira