22 de julho de 2013

Mas Imagine...


É como se tudo reagisse por algo surreal,
Talvez seja uma questão de loucura mas imagine...
Como se caminharmos para algo já estimulado,
Algo já reprovado, algo já rabiscado...

Algo superior, algo calculado, algo cármico,
Além do que eu e você esperamos, algo antônimo.
Qualificado e premeditado, decepções atrofiadas...
Talvez seja uma questão de loucura mas imagine...

E se, talvez inconsciente, eu escolhi o que reagir...
 Como se andássemos pelos passos que antes desenhamos.
Talvez seja uma questão de loucura mas imagine...
Apenas a aflição de passar por esses passos.

Talvez seja uma questão de loucura mas imagine...
Se o que reajo não for o que antes escolhi...
Acho que dos passos e traços me perdi.
Talvez seja melhor andar assim.

Daniele Vieira

9 de julho de 2013

Crédulo Escrúpulo Congelado



Congelado no tempo
Esse escrúpulo obsoleto.

Cravejado em outras
Falsas e doentias memórias.

Cristalizado pela modernidade
Promíscua e indevidamente curiosa.

Crédulo e irredutível,
Mantém-se arruinado.

Daniele Vieira

Pra Cá


Te chamo pra 
cá e imagino
que não dar
para esquecer
o que ficou pra lá

Te chamo pra
cá e finjo
que dar
para não
ficar por lá.

Daniele Vieira

Eclipses Do Fim


Seguindo os eclipses do fim
Seguindo os eclipses do fim
Enquanto vejo bruxas queimando no fogo do desespero

Depois de um acordar bêbado e fétido
Anônimo e público
Transpirando loucura
Transpirando doçura destilada
Com a alma vagando por avenidas,becos igrejas e prostíbulos
Provando a santidade suja do asfalto quente
De um fim de tarde qualquer

Procurando o amor, catarse, uma dose forte de afeto
Ou mais um disco de jazz moderno
Vai vagando na liberdade da tristeza
Na leveza da solidão
Seguindo os eclipses do fim
Seguindo os eclipses do fim.

Carlos Santos

2 de julho de 2013

Mais Menos


Mais
Mais 
Mais
Mais

Menos 
Menos 
Menos
Menos

Mais de mim
Menos de ti
Mais de mim
Menos de ti.

Daniele Vieira

9 de junho de 2013

É, Já Faz Um Tempo


É, já faz um tempo. Faz um tempo que deixei de passar
Pelo momento, faça um apelo e é, faz um tempo que deixou de lembrar
Do nosso apego, que é culpa do tempo que se foi devagar.

É, já faz um tempo. Faz um tempo que eu escrevi no espelho
Meus passageiros desejos e é, faz um tempo que eles estão lá presos
Cheios de espasmos, que é culpa do tempo que trouxe-lhes reflexos.

É, já faz um tempo. Faz um tempo que já não sei o fim
Do que há em mim e é, faz um tempo que já não vejo esse jardim
Por aqui, que é culpa do tempo que ele perdeu o cheiro de alecrim.

É, já faz um tempo
Já faz um tempo
Que a culpa é do tempo.

Daniele Vieira